Fichamento: Internet, e depois – Dominique Wolton

Na conclusão de seu livro, “A Internet e Depois?”, Dominique Wolton atenta para que é necessário libertar o pensamento sobre comunicação da visão unicamente tecnológica. Além da tecnologia, duas outras instâncias são de essencial importância para compreender a comunicação: a cultura e a sociedade.

Evidentemente, a dimensão tecnológica é a que tem sofrido mudanças mais aparentes ao decorrer dos últimos dois séculos, contudo as mais profundas alterações comunicacionais ocorrem exatamente quando sociedade e cultura mudam. Com o surgimento da imprensa no século XV ocorreu uma lenta evolução a favor do indivíduo com a criação de um espaço público, em seguida ocorreu o surgimento do espaço político e, por fim, as democracias modernas. Mas tais mudanças não ocorreram devido ao surgimento de uma nova mídia, mas sim pelas diferentes significações e ressignificações feitas por seus usuários.

Segundo Wolton: “A história da comunicação e das teorias da comunicação demonstram, na verdade, três fenômenos. Primeiro, há uma verdadeira revolução quando há um encontro entre a inovação tecnológica e as mudanças culturais e sociais nos padrões de comunicação, um fato que parece estranho. Depois, as três dimensões interagem, obviamente, são as dimensões sociais e culturais, as mais importantes, mesmo que pareçam em geral menos espetaculares que as inovações tecnológicas. Finalmente, e isso se encontra no coração das utopias tecnológicas há meio século, as novas tecnologias não são suficientes para mudar a sociedade, ou seja, para modificar o modelo social e cultural da comunicação.”

A resposta de Wolton é que o “determinismo tecnológico” que impera nas análises da comunicação tem de ser combatido. É necessário fazer uma avaliação nova que tenha a integridade das três instâncias.  Sendo assim, ele enumera dez conclusões principais em seu livro que para seja feita um panorama mais próximo da realidade nos estudos de comunicação e cibercultura.

  • “A comunicação não é tecnológica, mas diz à compreensão das relações entre os indivíduos (modelo cultural) e entre estes e a sociedade.”
  • É necessário deixar de lado a ideologia tecnológica e as tecnologias que constroem falsas hierarquias sob as anteriores. Ou seja, “o fato de que amanhã as telas apareçam em todos os lugares, tanto na escola como em casa, no comércio ou no lazer não significa que a comunicação seja mais fácil.” A comunicação tem tomado o lugar de outras antigas ideologias que davam significado a sociedade como as crenças, a politica e a ciência. Para o autor, destecnificar a comunicação é fundamental para humaniza-la e socializa-la.
  • Embora as novas tecnologias façam parte de uma clara evolução, isso não significa uma melhoria social. Como explica Wolton: “Tudo que é novo não é morderno, tudo o que é moderno não é melhor”. O problema da teorização da comunicação é muito mais complexo que apenas uma evolução tecnológica, é necessário desenvolver conhecimentos para relativizar essa ideologia e fazer perguntas de cunho mais antropológico e cultural.
  • “Os meios de comunicação em geral e as novas tecnologias são complementares do ponto de vista de uma teoria da comunicação, já que refletem o mesmo modelo, o da sociedade individualista de massa”. Contudo, os papeis desses dois agentes são diferentes: os meios de comunicação baseiam-se em estar em contato com o profundo movimento de liberdade individual. As tecnologias midiáticas são as ferramentas pelos quais esses movimentos ocorrem
  • “É preciso recordar sem cessar a importância de uma oferta de qualidade por parte dos meios de comunicação. O progresso não é exclusivamente aliado da lógica da demanda que se realiza nas novas tecnologias.”
  • “Não há racionalidade comum às três lógicas do emissor, da mensagem e do receptor. A prova disso é que, apesar de sua considerável força, a mídia, por um século, levou à padronização das opiniões e das ideias. É verdade que as mensagens têm uma influência, mas o estudo das condições de recepção permite também entender que a mesma mensagem, enviada ao mundo inteiro, não é recebida da mesma maneira nos diferentes países.” Tal afirmativa de Wolton, lembra os conceitos de Codificação e Decodificação propostos por Stuart Hall. Nela existem três instancias para a interpretação de uma mensagem: A posição dominante, quando o sentido da mensagem é decodificado de acordos os preceitos iniciais de sua codificação. Uma posição negociada, quando o sentido da mensagem entra em negociação com as condições particulares dos leitores. E a posição opositiva, quando o receptor entende a proposta dominante da mensagem, mas a interpreta seguindo uma estrutura de referencia alternativa. “Respeitar o receptor é respeitar as identidades nacionais e não confundir a globalização dos mercados da comunicação com o fato de que os receptores pertencem sempre a identidades culturais e nacionais concretas.”
  • “A comunicação a distância não substituirá a comunicação humana direta. Quanto mais as pessoas puderem se comunicar através de meios sofisticados, interativos, mais vontade terão de se ver; o desafio da comunicação tecnológica não se substitui pela necessidade de comunicação direta. […] A proximidade não é suficiente para criar interesse; pode até gerar desconforto ou mesmo rejeição. A aldeia global é uma realidade tecnológica, mas não uma realidade social e cultural.”
  • “É desejável registrar logo as novas técnicas de comunicação na longa história das tecnologias. Ao querer singularizar demais essas tecnologias, esquecemos que pertencem a uma história muito antiga que foi, por sua vez, uma história de emancipação, mas também de burocratização, racionalização, algumas vezes geradora de novas desigualdades.”
  • “Se a “comunidade internacional” é uma realidade em constante construção, a globalização da comunicação não saberá ser seu símbolo. A ideia da comunidade internacional reflete o ideal democrático, anunciado como horizonte da ONU depois da II Guerra Mundial e que visa justamente a organizar a convivência pacífica de sistemas políticos, valores e religiões diferentes, enquanto que a globalização da comunicação reflete a comunicação funcional.”

FICHAMENTO: COMUNICAÇÃO DIGITAL, EUGÊNIO BUCCI

O desenvolvimento tecnológico atingido pela humanidade é, sem dúvidas, impressionante. Inimaginável até o início do século XX que máquinas poderiam vasculhar nossas entranhas e mostrar a intimidade de nosso corpo. Para Eugênio Bucci é importante perceber como estamos delegando determinadas funções (a memória, por exemplo) às maquinas e de que forma elas “leem” o ser humano.

Bucci coloca que as revoluções tecnológicas da contemporaneidade são tão relevantes quanto àquela que foi proporcionada por Gutemberg e sua imprensa de tipos móveis. Segundo o autor, hoje o que existe é uma hipertrofia da importância do presente que é desmedida em certo ponto. A internet tem sido vista como um instrumento de igualdade, de voz para todos, mas não é assim que as relações são estabelecidas na prática.

A inclusão digital não deve ser entendida apenas como o contato do usuário com a mídia. Diversos processos estão relacionados à sua efetiva participação na rede. “O grau de acesso e influência que você pode exercer na rede, depende de seu repertório dentro desse arsenal, em que nível você opera todos esses programas, que grau de alcance a sua máquina, seu protocolo lhe dá” (pág 204). Posto isso, é notório que a tecnologia, por si, trás mais diferenciação que igualdade. As relações em rede ainda refletem a do sistema capitalista social, ou seja, são primordialmente verticais. “Nós olhamos para o mundo da internet como se ele fosse um plano. Olhado no plano, todos estão aparentemente falando e se comunicando. Mas, além do plano, existe uma outra dimensão, que é essa diferenciação vertical. Como é que ela se estabelece? Em primeiro lugar, pelo grau de tecnologia que você pode manusear, depois pela familiaridade com que você tem acesso a milhões de dispositivos.”

Bucci trás também em pauta a vigilância presente no mundo contemporâneo, estamos constantemente atravessados por câmeras e nossa vida privada acaba por ser exposta. Mas, diferente de um Grande Irmão orwelliano, o autor coloca que o que existe é um Grande Irmão difuso, que se decompõe nas mais diversas plataformas e suportes midiáticos.

A internet, ou melhor, o seu uso pelos agentes humanos, também foi responsável pelo fenômeno de mundialização de audiências. A comunicação se expandiu e, em um paralelo feito por Bucci, a teoria do caos de Lorenz nunca foi tão evidente. A informação circula de forma tão rápida e causa efeitos tão evidentes que os Estados terão de se moldar para comportar essas tecnologias de forma saudável.

O Autor se apresenta como um ponderado em relação a novas relações que serão proporcionadas no futuro das redes, algo entre Cris Anderson e Andrew Keen. Ele percebe que existe maior acesso ao conteúdo informacional, mas que isso se deve também à avalanche de informações. Para Bucci, vai chegar um momento em que será necessário uma hierarquização na rede e coloca-la dentro de uma organização e que tenha como finalidade o lucro.

Por fim, para Bucci a internet deve ser entendida de forma análoga a uma rede elétrica. Ela não é um meio de comunicação, mas um veículo pelo qual diversas informações circulam. Não é uma nova forma de comunicação, mas uma nova zona. Um novo espaço em que uma série de atividades são postas em questão e que vai além daquilo que nos chamamos de comunicação.

Fichamento – Cultura Livre, Lawrence Lessig

Até que ponto os benefícios privados serão sobrepostos aos benefícios públicos, e por que existem leis para amparar os poderosos? Essas são as questões colocadas por Lawrence Lessig, fundador da licença Creative Commons, em seu livro Cultura Livre. Lessig, para exemplificar suas ideias relata duas histórias. A dos fazendeiros Causbys e Da batalha entre a RCA e o sistema de rádio em FM.

Em 1945, os fazendeiros Causbys decidiram abrir um processo contra a União, pois os testes com aeronaves militares invadiam sua propriedade e as galinhas, assustadas pelos ruídos morriam. Segundo a legislação americana da época, era direito do proprietário uma “extensão indefinida para cima”, sendo assim a causa foi ouvida pela Suprema Corte. Contudo, os Causbys saíram derrotados do processo, em palavras do juiz “A doutrina não cabe no mundo moderno, […] O bom senso fica revoltado diante dessa ideia”. Ou seja, o bem das companhias de aviação e pela utilização pública do espaço aéreo foi garantida em detrimento dos de pequenos e particulares ganhos. Para Lessig é assim que as coisas devem funcionar, valorizando o bem da sociedade em geral.

Contudo, nem sempre é assim que as regras funcionam, e é ai que a segunda história é apresentada. Armstrong é um dos gênios esquecidos dos Estados Unidos. Ele foi o projetista do rádio FM. A modulação de frequência permite uma qualidade de áudio muito superior a o que era padrão na época: a modulação de amplitude (rádio AM).

Armstrong trabalhava para a RCA, maior empresa radiofônica. Ele tinha trabalhado em um projeto de redução de ruídos nas transmissões, mas quando o presidente da empresa soube da revolução iniciada pelo FM, tentou de todas as maneiras sufoca-la.  Inicialmente a tecnologia foi mantida dentro da empresa e engavetada, fato que causou a revolta de Armstrong, que viria a sair da empresa. Com as patentes já tendo caducado, Armstrong perdeu os direitos sob sua tecnologia e logo ela foi usada unicamente em beneficio dos empresários.  Desgostoso com sua derrota, Armstrong cometeu suicídio. Ou seja, nessa situação o benefício de poderosos foi feito em detrimento do avanço técnico.

O que diferencia então os Causbys e o presidente da RCA, David Sernoff? Simples, o poder. Ao decorrer do século XX diversos grupos comunicacionais se utilizaram de seu poder para adequar as leis em seus benefícios. Um dos principais questionamentos é sobre as leis de copyright. Diversos ramos midiáticos que hoje possuem grandes licenças e franquias começaram suas atividades ferindo as leis de direitos autorais que hoje defendem seus interesses. Por exemplo, a indústria cinematográfica de Hollywood foi construída por piratas fugidos da costa leste dos EUA. Os seus fundadores fugiam dos controles exercidos pelo truste da Companhia de Patentes da Indústria Cinematográfica, em cidades como Nova York, ficaria difícil usar equipamentos de filmagem sem a fiscalização e prováveis processos por parte da Companhia de Thomas Edison.

Contudo, o advento da Internet e da web 2.0 trouxe dor de cabeça às indústrias. O compartilhamento de arquivos e a possibilidade de remixes, por exemplo, borraram as linhas entre o legal e o ilegal. O uso lícito e ilícito. Para Lessig é importante preservar os direitos de propriedade intelectual, mas que as licenças comerciais devem ser repensadas. O caráter livre da internet não pode ser sobrepujado por interesses econômicos de empresas que, para defender seus lucros, utilizam-se até de falácias como a que a pirataria está prejudicando o artista. Lessig identifica na web quatro categorias de usuários que podem ser considerados piratas.

“A – Esses são aqueles que usam as redes P2P como substitutos para a compra de conteúdo. [..]. Os últimos são os alvos da categoria A: usuários que baixam conteúdo ao invés de comprá-lo.

B – Há alguns que usam as redes de compartilhamento de arquivos para experimentarem música antes de a comprar. Dessa forma, um amigo manda para outro um MP3 de um artista do qual ele nunca ouviu falar. […] O saldo final desse compartilhamento pode aumentar as compras de música.

C – Há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para conseguirem materiais sob copyright que não são mais vendidos ou que não podem ser comprados ou cujos custos da compra fora da Net seriam muito grandes. Esse uso da rede de compartilhamento de arquivos está entre os mais recompensadores para a maioria. Canções que eram parte de nossa infância mas que desapareceram há muito tempo atrás do mercado ressurgem magicamente na rede. […]

D – Finalmente, há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para terem acesso a conteúdos que não estão sob copyright ou cujo dono do copyright os disponibilizou gratuitamente.” (pág 11-12)

Finalmente, o autor procura uma  fazer uma distinção entre os tipos de “piratas”e seus comportamentos na internet. Obviamente o tipo A é realmente prejudicial, mas cabe o mercado perceber e reacomodar as suas definições, visto que em muitos casos os consumidores do tipo C e B são mais auxiliares que prejudiciais. É imprescindível que o mercado compreenda isso e deixe a internet livre, participativa e de cultura livre.

Fichamento – REDES SOCIAIS NA INTERNET, Rachel Recuero

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet: considerações iniciais. IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da XXVII INTERCOM, 2004.

Segundo Raquel Recuero, o interesse de estudos de redes complexas é iniciado na matemática e depois eles foram absorvidos pela sociologia sob a perspectiva das analises de redes sociais. Em seu artigo, Recuero busca elucidar sobre esses estudos e sua aplicabilidade em sites de redes como, por exemplo, o antigo Orkut.

Em relação a analise de redes sociais, duas grandes visões são postas sobre o objeto de estudo: a perspectiva das redes inteiras (whole networks) e perspectiva das redes personalizadas (ego-centered networks). A primeira é focada na relação estrutural da rede com o grupo social. A segunda o foco está no papel social de um indivíduo na rede não é dado apenas através dos grupos que ele pertence, mas também pelas posições ocupadas dentro dessas redes.

Sendo assim, o estudo em redes sociais seria uma mudança no modo de pensar da sociologia. Ela teria de ir para além da análise dos indivíduos e pensar em sua estrutura e unidades que compõem esse como, tais como: laços sociais, relações de coesão e força, a natureza da composição desse laço social etc.

Recuero coloca que no início dos estudos, os sociólogos acreditavam que as unidades básicas de uma rede eram as conexões entre duas pessoas, mas que atualmente é tomada como unidade básica uma tríade. Ou seja, duas pessoas com um amigo em comum, dessa forma elas tem mais possibilidade de fazerem parte de um mesmo grupo e forma um clusters (grupos de nós muito conectados). Partindo desta análise, o estabelecimento das relações humanas é fundamental, são elas que originam redes sociais no mundo concreto e no virtual.

A atração ao estudo de redes tem sido grande nos últimos anos. Nessa conjuntura, novos modelos foram criados para explicar características e propriedades das redes sociais. Uma das principais diferenças percebidas pela autora é que os novos estudos também consideram o tempo como um fator de importância, as redes já são mais estáveis e estáticas. As três teorias sobre as redes são: Modelo de Redes aleatórias, na qual todas as pessoas têm chances iguais de criarem laços e relações sociais que, no geral, são feitos de maneira aleatória.

Outra é a teoria do Modelo de Mundos pequenos, segundo essa análise o mundo é altamente conectado, um modelo que lembra muito a “lei dos seis passos”.  Sempre existirá um tipo de ordem nas redes, ou seja, pessoas com gostos mais próximos seriam mais prováveis de pertencerem a um mesmo grupo. Ou seja, as redes não são tão aleatórias como é proposto na primeira perspectiva.

No último modelo, Redes sem Fim, a proposta é que quanto mais conexões um membro da rede social possui, mais chances ele tem de agregar cada vez mais relações e links para si em detrimento de outros que possuam menos contatos. Sendo assim eles se tornam hubs da rede.

A partir desse ponto, Raquel Recuero começa a analisar o Orkut tendo como base essas teorias. “Em princípio, o Orkut parece demonstrar a existência de redes sociais amplas, altamente conectadas, com um grau de separação muito pequeno, exatamente como o previsto no modelo de Watts e Strogatz. É possível, inclusive visualisar os “atralhos” ao visualizar perfis de desconhecidos. Entretanto, com uma observação um pouco mais detalhada, percebe-se que a maioria das “distâncias” entre os membros do sistema é reduzida pela presença de alguns indivíduos, que são amigos de todo mundo. ”(pág 8). Esses tipos de pefil, por exemplo, seriam representações dos hubs e como é demonstrado pelo Modelo dos Mundos Pequenos, as conexões não distam tanto assim.

É importante perceber que existe uma grande diferença mesmo entre laços formados entre os indivíduos. Por exemplo, laços fracos são importantes para a manutenção da estrutura da rede e geralmente eles são formados pelos hubs. Contudo, ainda assim é possível existir laços fortes em uma rede social, nada impede que as relações estabelecidas não possam a ser concretizadas no mundo físico. Porém, para a autora, apesar dos avanços das perspectivas sobre esses estudos, elas ainda são insuficientes para explicar a complexidade das redes sociais e de seu papel no ciberespaço.

Fichamento: Da cultura das mídias à cibercultura, o advento do pós-humano – Lúcia Santaella

SANTAELLA, Lúcia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do póshumano. Revista FAMECOS, Porto Alegre, dezembro de 2003.

Para Lúcia Santaella, já é um lugar comum afirmar que as novas tecnologias de informação e comunicação não são simplesmente novas mídias, mas que alteraram por completo as formas de entendimento e significação das sociedades contemporâneas. Sendo assim, ela defende em seu artigo que cabe aos intelectuais e aos acadêmicos da área gerar conceitos novos, que sejam capazes de nos levar a compreender de modo mais completo as complexidades das mutações socioculturais que advém da cibercultura.

Para compreender as mudanças culturais, Santaella divide a história da humanidade em seis períodos: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura de mídias e a cultura digital. Cabe lembrar que não existem datas bem definidas acerca da passagem de uma para outra e que também a relevância maior de uma cultura em um determinado período não significa a morte da anterior. A cultura escrita, mesmo com a quantidade enorme de gadgets ainda sobrevive no Design Gráfico, por exemplo, e a cultura oral nunca foi posta em desuso.

Apesar da divisão da autora ser baseada no uso de meios, ela não toma um posicionamento a partir das ideias de McLuhan, ela apenas considera-os suportes para a ressignificação semiótica dos elementos humanos, sendo assim o mais importante estaria no conteúdo e não no meio.

Santaella coloca como um período inicial da cultura de mídias a década de 1980. Nela foram produzidas diversas ferramentas que possibilitaram o aparecimento de uma cultura do disponível: walkman, videocassetes, televisão a cabo etc. Todas essas mídias não mais representavam que o consumidor não era mais passivo, era proporcionada a ele a escolha de consumo individualizada. A autora coloca que foram essas mídias que tiraram a inercia de da recepção de mensagens e nos treinaram para a recepção que iria surgir com o advento da web.

“Enfim, cultura de massas, cultura das mídias e cultura digital, embora convivam hoje em um imenso caldeirão de misturas, apresentam cada uma delas caracteres que lhes são próprios e que precisam ser distinguidos, sob pena de nos perdermos em um labirinto de confusões.” (pág 27) Uma das diferenças entre a cultura das mídias e a cultura digital está na convergência observada por Jenkins. Antes, mesmo com o consumo personalizado, as mídias ainda se dividiam em seus suportes clássicos: audiovisual, impresso etc. Hoje é imprescindível o domínio e entendimento das diferentes plataformas tanto por profissionais de comunicação como por consumidores. Dessa forma, a grande moeda de troca da nova sociedade é a informação e as mídias são os meios pelos quais essas informação atingem seus alvos. Contudo, essa moeda de troca não é alienável como a financeira, ao passa-la o transmissor sempre continuará a tê-la.

Pela análise da autora, existem três principais pensamentos teóricos acerca dos estudos da cibercultura e das transformações impostas por ela. Os realistas apontam diversos aspectos negativos ao “ciber” e, apesar de ajudarem os pesquisadores a “pisar em solo firme”, trazem poucas contribuições para a evolução do meio. Os idealistas são aqueles que destacam os aspectos positivos desta era, são exatamente àqueles que não agradavam Andrew Keen em seu Culto do Amador. Em oposição surgem os céticos, eles pouco possuem estudos sobre a ciberespaço e afirmam que é necessário esperar as mudanças ocorridas para analisa-las.

Por último, Santaella coloca em pauta o conceito de pós-humano. Ele não deve ser entendido como uma superação da espécie humana, mas sim como a mudança de paradigma em relação à concepção clássica de humanismo. O homem não parece mais ser o foco da atualidade, mas sim suas resinificações e suas relações simbólicas com as mídias.

Fichamento: O Culto do Amador, Andrew Keen

Andrew Keen se autoproclama o anticristo da atual cena entusiasta do Vale do Silício. Em sua obra, O Culto do Amador, Keen põe em discursão as atuais renovações proporcionadas pela rede e da visão de futuro positiva que foi apontada por muitos autores em relação à Web 2.0 e sua essência colaborativa.

O Culto do Amador se propõe a repercutir sobre o impacto destrutivo da revolução digital em nossas culturas, economia e valores. Keen apresenta, para contextualizar seu ponto de vista, a teoria dos macacos infinitos. Segundo T.H. Huxley, formador desse conceito, se fornecermos um número infinito de máquinas de escrever para infinitos macacos em algum lugar eles acabaram por escrever uma grande obra. O autor faz uma comparação dessa conjectura mental ao atual cenário digital em que boa parte das pessoas tem acesso aos mais diversos gadgets e aplicativos, sendo que a antiga dicotomia entre produtores e consumidores está cada vez mais borrada. Aquilo que teria qualidade é perdido em um mar de informações irrelevantes.

 O atual ritmo de crescimento de blogs, perfis em redes sociais e outros meios para a propagação de informação por qualquer pessoa estão corrompendo e confundindo a opinião pública, causando assim um achatamento da cultura. Não existe distinção na internet entre uma pessoa que passou anos para se formar em determinado assunto e um amador em frente ao seu notebook. Para o autor estamos perpetuando um ciclo de ignorância em que cego guia cego. O papel de jornais e de revistas tradicionais é posto em xeque, elas que antes representavam fontes mais confiáveis de informação perdem espaço para o virtual e, devido a sites de anúncios gratuitos (craiglist.com, por exemplo) perdem também nas receitas.

O Youtube, cujo lema é Transmita a si mesmo, causa para Keen uma das piores manifestações de conteúdo que a rede proporcionou, diversos vídeos de relevância e gosto duvidosos são postos para assistirmos. A viralização desses vídeos seria um ponto que iria contra a lógica da sabedoria das massas proposta por autores mais otimistas. O não julgamento especializado de editores que atuariam como gatekeepers da internet resultaria em uma mixórdia de materiais em que aqueles de real relevância não estariam em destaque.

Nas redes sociais, em processo análogo ao que ocorre no Youtube, a seleção de notícias da mídia tradicional é substituída por uma time-line personalizada em que apenas aquilo que é espelho de nós mesmos é apresentado.

O autor também critica sob esta mesma lógica as redes sociais como Myspace e Facebook. Para ele, as redes trazem uma boa proposta que é à interação social, mas que por fim acaba por se tornar em uma propaganda narcísica, tudo que é voltado para o nosso crescimento de nosso ego está lá: nossos livros favoritos, nossos filmes prediletos e nossas qualidades mais cativantes.

Finalmente, para Keen, a teoria da cauda longa proposta por Cris Anderson é um absurdo. Com o achatamento da cultura e a perda de relevância de seus “guardiões”, o culto ao amador é a regra. “A Cauda Longa praticamente redefine a palavra “economia” […] Mas mesmo que aceitem os duvidosos argumentos de Anderson, a teoria tem um furo gritante” (pág 08).

Mais uma vez Keen reitera a desvalorização da cultura, o erro de Anderson é supor que existe uma “fonte infinita de talentos” e que eles estariam a disposição na cauda longa. Sendo assim, parece difícil crer que os nichos realmente serão valorizados e geraram receitas positivas. Quanto mais estreito é o mercado, mas curto é o orçamento de produção. Tais fatores comprometem a qualidade final do produto e sua aceitabilidade por parte dos consumidores.

Fichamento – The Shallows, Nicolas Carr

CARR, Nicholas G. The shallows: what the Internet is doing to our brains. New York, NY: W. W. Norton, 2011.

Em seu livro, The Shallows, Nicolas Carr aponta que uma mudança profunda no modo de pensar do ser humano está ocorrendo. O raciocínio linear, a mente sem distrações, calma e concentrada que fora dominante na sociedade desde o Renascimento do século XIV está sendo dissolvida. Para o autor, a plataforma midiática que está proporcionando este fenômeno é a internet.

Ao embasar sua tese, Carr trouxe para si os argumentos de Marshall Mcluhan. O teórico da chamada “escola canadense” foi o primeiro a perceber que as modificações culturais proporcionadas por uma mídia não estão relacionadas apenas ao seu conteúdo, mas principalmente ao modo que ela modifica nosso mundo sensível em longo prazo. O conteúdo, segundo McLuhan, seria apenas “o pedaço suculento de carne” daquilo que é a plataforma midiática. Tal apego ao prazer do conteúdo nos tiraria o foco das reais mudanças e, no contexto atual, Carr identifica o espaço da internet como um festival de conteúdos que nos leva a um lugar após o outro escondendo as reais mudanças que foram proporcionadas.

Contextualizando as transformações que as mídias digitais trouxeram, Carr fala sobre suas próprias experiências. Entusiasta da revolução dos computadores pessoais, o autor presenciou todas as evoluções as quais estas plataformas passaram. Contudo o advento da Internet e, posteriormente da Web 2.0, ele passou a perceber que os territórios virtuais estavam exercendo uma influência muito maior do que àquela feita pelo seu velho PC. Não era mais certo gastar tanto tempo com telas de computados, o modo de funcionar de seus pensamentos tinha sido alterado. Assim como o supercomputador HAL 9000, de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, em sua cena final, Carr sentiu que sua mente tinha esvaído. As informações que antes eram importantes e estavam gravadas em sua memoria foram para nos mais diferentes gadgets, o prazer de uma leitura profunda foi alterado em batalhas por concentração e entendimento.

Para melhor demonstrar que as mudanças cognitivas proporcionadas pelas novas tecnologias foram constantes na sociedade humana, dois exemplos são apresentados: o mapa e o relógio. Estas ferramentas fazem parte de um grupo de tecnologias que usamos para estender ou aprimorar nossos poderes mentais, articular ideias e classificar informações. O mapa ao agregar informações dos territórios (e com o desenvolvimento da cartografia também se tornou capaz de registrar estratégias de guerras ou a vastidão do cosmos) não apenas transmite informações, mas também expressa de maneira muito particular a percepção do mundo que cerca as sociedades. Já o relógio redefiniu nossa noção de tempo dividindo-o em indefinidas partes iguais. Nossa mente passou a dar ênfase em rotinas e trabalhos mecanizados baseados em suas marcações.

Sendo assim, uma das grandes questões atualmente não é se a web modica ou não as nossas cognições, mas sim qual o nível de suas transformações e se realmente acontece aquilo que Carr coloca em seu livro: o xeque-mate de nossa antiga maneira de pensar e se realmente a internet está nos transformando em seres mais “rasos”.

Skoob  – Rede Social

O Skoob é uma rede social brasileira de literatura, seu nome vem da inversão da palavra inglesa “books” (livros).  O principal objetivo da rede social é proporcionar o encontro de leitores para compartilharem suas impressões e resenhas dos livros lidos. Além das avaliações, também é possível marcar quais livros o usuário está lendo, deseja ler, está relendo ou abandonou.

Todos os usuários possuem perfil, neste é possível escrever um “sobre mim”, colocar seus estilos literários preferidos e uma citação marcante que ficará em destaque no seu mural. A interação dos usuários não é perfeita, visto que não é possível mandar mensagens pessoais em forma de bate-papo. Mesmo assim, existem links de amizade e comunidades de interesses em comum.  Uma função interessante é o “paginômetro”, um contador que soma todas as páginas dos livros já lidos, podendo ser usada como uma forma de incentivar a leitura.

Atualmente o Skoob é a maior rede literária do Brasil e permite interagir com outras redes como o Facebook e o Twitter. Também é oferecida a função PLUS, que permite ao usuário fazer trocas de seus livros com outros membros da rede social. Também é comum proporcionarem cortesias que serão sorteadas aos usuários, incentivando o uso da rede social através de sua própria razão de existir: a leitura.

Exercício: Inteligência Artificial (IA)

As primeiras ideias e rudimentos sobre Inteligência Artificial advêm de tempos antigos. Diversas lendas, mitos e folclores apresentam narrativas de seres artificiais dotados com inteligência ou consciência por seus criadores, por exemplo, o Golem e o Frankenstein. Mesmo assim, este termo só foi cunhado em 1956, durante uma conferência de computação no campus do Dartmouth College, por John McCarthy, Herbert Simon, Allen Newell, entre outros cientistas.

Por IA compreende-se que ela é uma parte da ciência da computação preocupada em desenvolver hardwares ou softwares inteligentes, capazes de exibir em suas ações características naturais como o entendimento de linguagem, o aprendizado e o raciocínio. Ou seja, a preocupação desse seguimento científico não fica apenas na manipulação ou armazenamento de dados, mas também na aquisição e inferência de novos conhecimentos.

Desde o final da década de 1950 e início da década de 1960, diferentes correntes de pensamento em IA têm estudado formas de aperfeiçoar e estabelecer comportamentos inteligentes nas máquinas. Dessa forma, a IA não é só um campo científico que busca a compreensão do fenômeno da inteligência, mas também um ramo da engenharia. Atualmente, o estudo em inteligência artificial é considerado por muitos a chave mestra para o software do futuro, sendo que sua utilidade está à prova em diversas plataformas como os games e a web 3.0.

Um dos pioneiros nesse campo foi o neurofisiologista estadunidense William Grey Walter. Já na década de 1940, antes mesmo da conceituação do termo IA pela comunidade científica, ele construiu um dos primeiros robôs autômatos. As tartarugas (ou tortoises) eram robôs que usavam apenas uma roda para locomoção e fotossensibilidade para guiar seu caminho. Segundo Grey Walter, sua experiência provava que, ao simular relações entre um pequeno numero de neurônios, se é capaz de gerar comportamentos complexos. O cientista sempre buscou em seu trabalho demostrar a importância de se usar circuitos puramente analógicos para simular os comportamentos naturais, contudo estas ideias foram deixadas de lado por um bom tempo devido ao desenvolvimento da eletrônica, da computação e das ideias de outros cientistas como Alan Turing.

Alan Turing foi uma das principais figuras para o desenvolvimento das ciências da computação. Muitos anos antes de existirem computadores modernos, a Máquina de Turing foi proposta. Ela é um dispositivo teórico capaz de manipular símbolos de um sistema de regras próprias, ligando assim o comportamento das máquinas às abstrações cognitivas. Outra de suas contribuições ao campo foi o Teste de Turing, processo que avalia a capacidade de uma máquina de exibir comportamento inteligente semelhante a um humano, ou indistinguível deste. Apenas no dia 8 de junho de 2014, um supercomputador passou no teste, utilizando um software chamado Eugene Goostaman.

Na cultura popular a Inteligência Artificial é um tema bastante abordado. Diversas produções acerca do tema já foram feitas nas mais diversas plataformas midiáticas: livros, filmes, animações etc. Isaac Asimov é um dos principais autores sobre o tema. Nascido em 1920 na Rússia, além de escritor também era bioquímico, algumas de suas obras mais famosas como: O Homem Bicentenário e Eu, Robô já foram adaptadas ao cinema.

Atualmente, diversas são as aplicações práticas da IA, por mais que as pesquisas no desenvolvimento de uma inteligência similar a humana tenha obtido poucos resultados (Ou talvez jamais terão resultados consistentes, como afirma o cientista Roger Penrose), diversas outras áreas se desenvolveram ao decorrer do tempo. A própria cultura hacker surgiu de laboratórios com desenvolvimento em Inteligência Artificial. Cada vez mais úteis, diversos softwares inteligentes têm nos cercado. Ao que parece, um dos principais objetivos do campo agora é fornecer melhorias à vida humana.

Fichamento – Jenkins: a cultura da participação, Luciano Yoshio Matsuzaki

Três pilares formam os estudos de Henry Jenkins acerca da Cultura da Convergência: convergência de mídia, cultura participativa e inteligência coletiva. A partir de pesquisas embasadas no pensamento de Jenkins, Matsuzaki afirma que o atual cenário tecno-midiático é marcado pela tensão entre as velhas e as novas mídias, mudanças de comportamento dos consumidores e por novas estratégias dos conglomerados comunicacionais.

Antes de tudo, porém, é necessário recapitular o que Jenkins entende por convergência. Em sua visão, ela não é apenas um fenômeno tecnológico, mas sim uma junção dessa característica aos diferentes fenômenos sociais e culturais. “Convergência ocorre quando as interações entre consumidores constroem suas próprias histórias por meio dos fragmentos de informação oriundos dos fluxos midiáticos que estão expostos, dentro de seu próprio cotidiano.” Matsuzaki exemplifica.

Para contextualizar determinados conceitos propostos e aprofunda-los, Jenkins alia-os a exemplos ocorridos em seriados e filmes norte-americanos. O conceito de knowledge communities é analisado com base no reality show Survivor. O principal foco era perceber a pratica de spoiling (ato de contar o final de um filme ou série) por alguns telespectadores do programa, desta forma, entender os processos de compartilhamento e ética dentro de comunidade, avaliando sobre suas relações acerca do conhecimento do spoiler. O autor observa que o spoiling é uma inteligência coletiva em prática, as revelações sobre o enredos da trama criam novas tensões entre consumidores e produtores de conteúdo devido as suas informações privilegiadas, criando, além de uma competição entre fãs, uma comunidade de conhecimento.

Outro conceito utilizado por Jenkins é o de Affective Economics, ela seria uma nova maneira de tratar com a teoria do marketing. Em seus atuais discursos, as empresas e grandes conglomerados de comunicação procuram moldar as decisões de compra de seus clientes ao atender suas demandas. Contudo, uma configuração estranha é configurada neste novo contexto: “Jenkins analisa um paradoxo: para ser desejado pelas redes, os seus gostos devem ser “comodizados”, ou seja, transformados em mercadorias e, para ser “comodizado”, o grupo cultural deve ter visibilidade. Aqueles grupos que não têm valor econômico reconhecido são ignorados”, analisa Matsuzaki. Em sua contextualização, Jenkins utiliza o exemplo do American Idol. Os telespectadores são encorajados a acompanhar e votar acerca dos participantes do programa, dessa forma, o engajamento do consumidor é visto como uma fundamentação nesse novo mercado.

Uma das principais características do atual paradigma da convergência é a narrativa transmídia. Franquias como Matrix possuíram inúmeros desdobramentos nas mais variadas plataformas de comunicação. Para Jenkins, Matrix é um dos grandes exemplos de entretenimento dessa nova era. Sua narrativa era tão grande e também grande era a demanda dos consumidores que este desdobramento se fez necessário.  Para ele, é importante entender as novas estruturas e possibilidades das histórias. A autoria colaborativa não linear também pode ajudar a manter o interesso do público em determinadas marcas e sua característica transmídia. “Nossas histórias de vida, dos relacionamentos, memórias, fantasias e desejos também fluem pro meio dos canais de mídia”.

A pesquisa de Jenkins demonstra então, a partir de todos esses contextos levantados, que a participação popular na produção de bens culturais expandiu devido o advento da internet. As possibilidades das indústrias de entretenimento estão mais lucrativas, mesmo assim, ainda existe uma forte tensão entre as tradições mercadológicas. No século XXI a cultura popular permeia a produção num cenário convergente, dessa forma  é difícil estabelecer fronteiras definidas entre produtores e consumidores. O que ocorre é que neste ambiente todos possuem diferentes níveis de influencia.

A tensão percebida por Jenkins é exatamente entre aqueles chamados “proibicionistas” e os “colaborativos”. “Os proibicionistas abrangem todas as empresas da velha mídia, ou seja, grupos de filmes, televisão e a indústria fonográfica que têm direito autoral, o uso da imagem e venda de conteúdo licenciado, sua principal forma de rentabilidade. Já os colaborativos abrangem, principalmente, as novas empresas da internet, jogos e telefonia celular, que consideram a produção do conteúdo popular de grande importância para a promoção da franquia.”